Sete meses atrás, uma condição levou a perna direita da Fernanda, acima do joelho. Agora apareceu uma coisa nova no osso da perna esquerda.
Quem cria ela é o avô, o Seu Cido. A mãe se foi quando ela tinha três anos, e o pai nunca apareceu.
Ela está testando um tratamento pela rede pública, mas tem um problema: o hospital fica a quatro horas de ônibus, e quem paga a passagem é o avô. Sessenta e sete anos, aposentado, ele voltou a trabalhar na fábrica de madrugada. Dorme três horas por dia.
Ele já vendeu a máquina de costura que era da filha. Já pediu adiantamento duas vezes. Chegou no fim do que tinha.
E a Fernanda sabia. Tanto que escondeu o que estava sentindo na perna esquerda por quatro meses, pra ele não gastar mais.
O doutor foi claro: com tudo feito essa semana, ainda dá pra tentar segurar a perna, e ela continua andando. A consulta é quinta-feira.
Faz um ano que os dois se cuidam sozinhos, cada um escondendo do outro o quanto custa.
Dessa vez, o que decide não é o esforço deles. É chegar quinta-feira e eles terem o suficiente para continuar o tratamento.
E tudo pode começar por aqui:
Mandei o meu agora. Quinta é depois de amanhã, não dá pra deixar pra depois.
há 8 minutosEla segurou quatro meses calada pra não dar despesa pro avô. Isso me quebrou.
há 21 minutosJoguei no grupo da rua aqui. Quanto mais gente souber antes de quinta, melhor.
há 40 minutosHomem de 67 anos voltando pra fábrica de madrugada. Agora é a vez dele receber.
há 1 horaFoi pouco o que deu pra mandar, mas mandei de coração. Força, Fernanda.
há 1 horaQuatro horas de ônibus pra ida e mais quatro pra voltar. Não ia ficar de fora.
há 2 horas